domingo, 29 de agosto de 2010

"Esse tipo de mulher aproxima-se do mundo desviando o rosto, tal como a mulher de Lot, o olhar voltado para Sodoma e Gomorra. Nesse ínterim, a vida passa por ela como um sonho, uma fonte enfadonha de ilusões, desapontamentos e irritações, que repousam unicamente em sua incapacidade de olhar para frente. Assim sua vida se torna o que mais combate, isto é, o apenas-materno-feminino, devido à sua atitude apenas inconsciente e reativa para com a realidade. Olhar para frente porém faz com que o mundo se abra para ela pela primeira vez na clara luz da maturidade, embelezada pelas cores e todos os maravilhosos encantos da juventude e, às vezes, até da infância. Olhar significa o conhecimento e descoberta da verdade que representa a condição indispensável da consciência. Uma parte da vida foi perdida, o sentido da vida porém está salvo."

(C.G.Jung - Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

CHICO BUARQUE - DURA NA QUEDA




Dura Na Queda - Composição: Chico Buarque

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Nina Simone "Feelings" (Montreux Jazz Festival)




Minha alma precisar escutar e ver esse vídeo sempre.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Como dois e dois - Caetano veloso

Quando você
Me ouvir cantar
Venha não creia
Eu não corro perigo
Digo, não digo, não ligo
Deixo no ar
Eu sigo apenas
Porque eu gosto de cantar...
Tudo vai mal, tudo
Tudo é igual
Quando eu canto
E sou mudo
Mas eu não minto
Não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias
Tristezas e brinco...
Meu amor!
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como
Dois e dois são cinco...
Quando você
Me ouvir chorar
Tente não cante
Não conte comigo
Falo, não calo, não falo
Deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam
Prá consolar...
Tudo vai mal
Tudo, tudo, tudo, tudo
Tudo mudou
Não me iludo e contudo
A mesma porta sem trinco
Mesmo teto, mesmo teto
E a mesma lua a furar
Nosso zinco...
Meu amor!
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como
Dois e dois são cinco
Meu amor! Meu amor! Meu amor!
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como
Dois e dois são cinco...
e essa sensação de reconhecer o que ainda não conheço?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

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Estou confusa sobre o envelhecer. Não sei. Não. Não estou de cá nem de lá da corda. Sem cair e em balanço, não sei ser nova não sei ser velha. Sem saber como ser eu mulher. Aqui no meio tudo acontece. Em despedida abanando os olhos, tornozelos inquietos, ombros ainda curvados. Batom vermelho, coxa a mostra. Séria sincera. Como mulher, sem ser menina, sem saber ser mulher.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

...


Batem a porta. Ela vestida, enrolada em pedaços seus que agora estão claros mas ainda confusos. As coisas têm mudado, parece que aquela tempestade que entrou pelos vidros da casa e se enjaulou debaixo do seu travesseiro está mais fria. Os tempos estão mudando, e ela se cansa com mais facilidade. No resto do dia ela vive, voltou a respirar, mas ainda se assusta com esses novos par de olhos que agora habitam o mundo. A casa está vazia e ela continua acreditando no destino. Mas essa crença pode mobilizar suas pernas, e fazer com que ela não cometa mais riscos e espere o tempo chegar e tomar conta do que é dela. Ela senta e se pergunta: “qual passo devo dar? Como não almejar aquilo que não quero?” Esse controle provoca verdadeiras crises internas: é como se ela já soubesse do poder que nasceu com ela; e o medo de correr risco é o medo de assumir as conseqüências da liberdade. Ela abre a porta, vestida de luxo, ela de cabelos compridos, ela ruiva, ela voa. Dos peitos brotam lágrimas, mamas caídas se derramam nas bocas dos necessitados, e dizem que seu poder de cura não passa de um ego inflado que sobrevoa o mundo e a faz se sentir Jesus Cristo pregado na cruz. Pensa: “eu sou mãe, meus filhos inescrupulosos já não sabem pra onde ir, mas meus seios continuam aqui; venham todos! Bebam em minhas tetas e sejam felizes! Eu broto sangue, eu sou mãe eu já posso dar.” Por de trás, na região das costas, as feridas nascem. Ela não tem estofo pra segurar mundo de gente e destinos em seus peitos recém formados de mulher. Ela se tranca dentro da casa, planta sementes de ervas, pra que os cheiros purifiquem sua alma santa. Enquanto isso seu cheiro exala desesperadamente pelos poros grandes e pequenos. Ela fede, seu cheiro de mãe preta. O sexo ressecado, sem esperança, adormecido. O amor ou o não amor.

Ela abre os olhos, em sua cama nasceram trepadeiras. Ela acordou assustada, e no frio desesperado de sua alma se sentiu só. Desceu as escadas esperou o dia brotar em seus olhos. Aquela sensação de desesperança. Não podia mais voltar o caminho que um dia ela disse sim. Não queria mais ficar adormecida, mas enxergar o mundo lhe doía a cabeça. E era uma celebração de morte todos os dias.

Lá fora, por detrás das paredes da casa, fora do sacrifícios dos cães, diziam que ela se tornava uma mulher cristã fanática iludida perdida e que no fim de seus dias seria uma mulher seca e crua. Ela, começava a celebrar a morte diária. Era possível morrer, todos os dias. Era possível acabar com a vida agora. Era possível não existir.