Peguei nossa foto presa na geladeira, aquela foto que só tiramos nós dois, a foto de nós dois presos frente ao outro, parados, frente ao carro. Seus olhos azuis ainda eram os mesmos, e a mim restavam às mesmas rugas na testa de preocupação. Lembro do nosso silêncio, da nossa cumplicidade e de tudo que éramos e não somos mais. Agora vejo teu rosto e parece que ele nunca me pertenceu. O teu sorriso ficou gravado em uma memória minha que voou para longe. Já confundo o teu nome com o dos outros que um dia moraram dentro de mim. Será que não te reconheço ou será que já não me lembro de mim?
Ela presa da foto, coleciona nomes num dicionário de homens estranhos, esbeltos, esquizofrênicos. Ela presa nos seus cabelos se dilacera com lembranças de uma Ana qualquer.
Tu passaste por mim como os sonhos que me acordam de madrugada.
-“oi, tu pode me dar teu telefone? Tu podes me dizer que ainda sou a mulher que se via no espelho. Eu cresci nego. A menina que te pertenceu se foi, e me agarro a esse sofrimento como se ele fosse meu”.
Ela desligou o telefone.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Azeitonas...
Tive uma lembrança ou talvez um sonho com azeitonas verdes anunciadas no jornal. Mentira, me enganei.
Recomeçando, tive uma lembrança estava sentada em um banco branco vestida com bolinhas pretas pensava em você e você não chegava e eu esperava seu nome como se ainda existisse o amor que me foi ensinado. Enganei-me ou melhor falei uma nova mentira.
Eu estava caminhando com um vestido preto, me chamaram eu olhei e não era tu. Olhei e era eu me convidando pra andar no trilho do trem e eu meio confusa com minha própria voz que agora ressoava diferente e agora aceitava o teu convite, que dizer o meu próprio convite. Eu andei até o carro de cor igual ao meu vestido e entrei e sentei e ele outro me ligou me falou me sorriu me disse paixão e eu sentada por ali. Esqueci-me de novo.
Andava eu com a bunda de fora pela rua acreditando honestamente na minha roupa que cobria meus odores de puta e meus cheiros eram tão fortes e cheios de desejos de ser tocada de ser molestada possuída como mulher que sempre fui e nunca vi. Andava pelada e te vi de chapéu nu em minha cama sobre a minha coberta sentindo meu cheiro meu sexo e beijando como o homem que tu era a beirada da minha boca e agora eu ali na tua frente parada te olhando te conhecendo te observando e esperando ainda você dizer que tua alma pertencia a minha. Sonhava.
Eu fiquei parada esperando teus olhos me dizerem não e meu corpo diante do teu dizendo que novamente eu inventava notícias no meu jornal e que eu novamente escrevia bobagens sobre telas mentirosas e rabiscos que não eram meus. Eu te vi ali parado olhando-me através dos teus desenhos e me senti amando como nos contos de fadas e li teus escritos e naquele momento acreditei que tu não eras meu.
Você é mais um dos meus homens inventados que capturo através de imagens pelas ruas e coleciono no meu mundo de memórias perdidas.
“Oi, prazer, meu nome é Rimenna”.
Vejo teu chapéu passando pelas minhas ruas e te encontro por acaso nos dias e continuo não acreditando em coincidências.
Recomeçando, tive uma lembrança estava sentada em um banco branco vestida com bolinhas pretas pensava em você e você não chegava e eu esperava seu nome como se ainda existisse o amor que me foi ensinado. Enganei-me ou melhor falei uma nova mentira.
Eu estava caminhando com um vestido preto, me chamaram eu olhei e não era tu. Olhei e era eu me convidando pra andar no trilho do trem e eu meio confusa com minha própria voz que agora ressoava diferente e agora aceitava o teu convite, que dizer o meu próprio convite. Eu andei até o carro de cor igual ao meu vestido e entrei e sentei e ele outro me ligou me falou me sorriu me disse paixão e eu sentada por ali. Esqueci-me de novo.
Andava eu com a bunda de fora pela rua acreditando honestamente na minha roupa que cobria meus odores de puta e meus cheiros eram tão fortes e cheios de desejos de ser tocada de ser molestada possuída como mulher que sempre fui e nunca vi. Andava pelada e te vi de chapéu nu em minha cama sobre a minha coberta sentindo meu cheiro meu sexo e beijando como o homem que tu era a beirada da minha boca e agora eu ali na tua frente parada te olhando te conhecendo te observando e esperando ainda você dizer que tua alma pertencia a minha. Sonhava.
Eu fiquei parada esperando teus olhos me dizerem não e meu corpo diante do teu dizendo que novamente eu inventava notícias no meu jornal e que eu novamente escrevia bobagens sobre telas mentirosas e rabiscos que não eram meus. Eu te vi ali parado olhando-me através dos teus desenhos e me senti amando como nos contos de fadas e li teus escritos e naquele momento acreditei que tu não eras meu.
Você é mais um dos meus homens inventados que capturo através de imagens pelas ruas e coleciono no meu mundo de memórias perdidas.
“Oi, prazer, meu nome é Rimenna”.
Vejo teu chapéu passando pelas minhas ruas e te encontro por acaso nos dias e continuo não acreditando em coincidências.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Existe um cenário nos meus sonhos...
Existe um cenário nos meus sonhos: um móvel de madeira com um puxador redondo, uma luz franca em um abajur branco, eu deitada na cama, a janela aberta com uma fita rosa pendurada e balançando. Meu nome é algum que me esqueço. Devo estar pirando, uma profunda carência e a máquina fotográfica em branco na pia do banheiro. Por que não consigo ocupar meu tempo como se ele fosse a única coisa que de verdade eu tenho? Posso me apagar amanhã, como aquela menina dos pulsos dourados, que vivia ameaçando em cortá-los para se ver livre daquele brilho. Ontem ela acordou, piscou e pegou o canivete enferrujado. Fiquei sabendo pelos jornais que seus pais esqueceram ela no quarto por uma semana, chegaram lá e só restava a mancha de sangue no tapete. Ela ainda está viva, morando em um hospital, esperando transplante de cérebro. Onde que eu estava mesmo? Esqueci-me de novo. Ah... eles vão embora mesmo... eles sempre vão embora mesmo e eu continuo com a mesma cara de piedade esperando por eles, meus salvadores. Ontem, olhei a foto de um dos meus amores inaceitáveis, ele olhava com aquela cara de piedade pedindo ajuda. Detesto homens com cara de piedade pedindo ajuda; parecem fazer de propósito, parecem insistir em dizer que pareço com eles. Estou me esquecendo de novo porque estou aqui falando tudo isso com vocês. Um flash e eles tiram outra foto de mim na beira do fogão fazendo comida para o vento. Tento me ocupar a todos os minutos, coisas banais como fumar um cigarro, tomar banhos e fazer comida para os vizinhos, e também me ocupo em esperar alguma carta que chegue pelo o homem do correio. Adoro receber cartas de amor que dizem oi tudo bem sim anh talvez... poesias profundas de algum homem qualquer que queira me comer. Agora rezo por receber cartas de amor de homens quaisquer. Aaaaiiiiiiiiiiiiii Como é bom existir no mundo do tédio. Então, estava cozinhando. Não queria comer feijão e nem queria alimentar ninguém de feijão. Queria comer pessoas, devorar ossos humanos, ternura e compaixão. Os vizinhos não apareceram. Chegaram depois que o filé estava duro na frigideira, comeram como porcos e lamberam os beiços generosos. Como são agradáveis os meus vizinhos. Eu fiquei ali olhando o meu décimo cigarro se queimar. Devo admitir que minha escolha pela manhã foi tola, nunca se deve substituir os quereres interiores acreditando que algum idiota possa enfiar carinho pela minha goela e me fazer sentir importante. Mentiras e mentiras, que rondam a minha casa nessa manhã.
Realmente me esqueci pra que vim até aqui dizer isso que não é nada, são apenas lamentações. Vou-me embora tomar mais um banho...
Realmente me esqueci pra que vim até aqui dizer isso que não é nada, são apenas lamentações. Vou-me embora tomar mais um banho...
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
sua culpa
Resolvi me desmanchar. Sim, vocês devem ter razão, o universo demora alguns bons anos pra criar algo que respire, mas leva pequenos segundos para explodir. Foi assim. Eu pisquei e explodi. Existem milhões de partículas espalhadas, escondidas em lugares, e se transformando em outros lugares. Hoje eu resolvi me desmanchar. Explodi. Cansei do que eu podia olhar no espelho, e pisquei. Você deve estar rindo. Foi assim. Cansei de mim e pisquei. Provavelmente, você já deve ter encontrado algum pedaço do que fui eu. Eu tento entender esses pedaços, mas eles abrem a boca e gritam no buraco do mundo palavras completamente diferentes. Eles me deixam maluca. Explodi. Eles devem estar enganando pessoas por aí, dizendo coisas como se fosse eu, mas são somente pedaços.
Olha, não foi minha a culpa, eles abriram a boca e disseram palavras completamente diferentes ao mesmo tempo. Talvez foi um desses pedaços que enganou você. Não me sinto bem de saúde. Acabei de explodir e ainda ouço vozes diferentes cochichando em algum pedaço meu, em algum lugar. Preciso dormir. Mais um momento, e eu volto a respirar.
Eu assumo, eu tenho medo.
Olha, não foi minha a culpa, eles abriram a boca e disseram palavras completamente diferentes ao mesmo tempo. Talvez foi um desses pedaços que enganou você. Não me sinto bem de saúde. Acabei de explodir e ainda ouço vozes diferentes cochichando em algum pedaço meu, em algum lugar. Preciso dormir. Mais um momento, e eu volto a respirar.
Eu assumo, eu tenho medo.
sábado, 8 de novembro de 2008
só caetano
Eu Não Peço Desculpa
Caetano Veloso
Composição: Jorge Mautiner
Eu não peço desculpa
E nem peço perdão
Não,não é minha culpa
Essa minha obsessão
Já não agüento mais
Ver o meu coração
Como um vermelho balão
Rolando e sangrando,
Chutado pelo chão
Psicótico,
Neurótico,
Todo errado...
Só porque eu quero alguém
Que fique vinte e quatro horas do meu lado
No meu coração, eternamente colado...
No meu coração, eternamente colado...
Caetano Veloso
Composição: Jorge Mautiner
Eu não peço desculpa
E nem peço perdão
Não,não é minha culpa
Essa minha obsessão
Já não agüento mais
Ver o meu coração
Como um vermelho balão
Rolando e sangrando,
Chutado pelo chão
Psicótico,
Neurótico,
Todo errado...
Só porque eu quero alguém
Que fique vinte e quatro horas do meu lado
No meu coração, eternamente colado...
No meu coração, eternamente colado...
sem rumo
Minha liberdade custa pouco nessa terra de zé ninguém. Aqui qualquer migalha de pão é suficiente pra forrar os estômagos nervosos. Vou escolher sair correndo, pular, sapatear com sandálias douradas. Tudo acaba a qualquer momento.E tudo caminha amanhã de manhã. Todos os príncipes encantados um dia usam saia, esfarelam e viram poesia cósmica. Alguém deve permanecer. Eu, eu permaneço, morro e permaneço. Lei divina, não foi eu que inventei. Os monstros safados divinos criaram essas leis que fazem de todo humano celestial um capeta dos infernos.
Os pensamentos ruins hoje vão surgir. E se alguém perguntar por mim, diga que estou por aí... em qualquer esquina ou botequim.
Vou sair de casa, e se amanhã eu perceber que isso que eu chamei de liberdade, era apenas mais uma mentirinha de um dos meus eus... paciência, eles me enganaram de novo... Na verdade eu durmo... e hoje sem culpa cristã e sofrimento, amanhã eu choro.
Estou pronta, passei meu batom, rímel nos olhos e minha nobre viseira.
Acabei de peidar pro mundo. Como é bom cagar pra vida de vez em quando.
Os pensamentos ruins hoje vão surgir. E se alguém perguntar por mim, diga que estou por aí... em qualquer esquina ou botequim.
Vou sair de casa, e se amanhã eu perceber que isso que eu chamei de liberdade, era apenas mais uma mentirinha de um dos meus eus... paciência, eles me enganaram de novo... Na verdade eu durmo... e hoje sem culpa cristã e sofrimento, amanhã eu choro.
Estou pronta, passei meu batom, rímel nos olhos e minha nobre viseira.
Acabei de peidar pro mundo. Como é bom cagar pra vida de vez em quando.
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