domingo, 26 de setembro de 2010

Mulher Mar

Ela deitou de braços dados com o mar. Os olhos bem abertos surpresos pelo vento viam imagens de cores que se formavam no céu. Ela esperava com sua sutileza nua o novo século que agora começava. A resposta para pergunta era não. Nada mais iria mudar embora tudo mudasse continuamente. Ela abraçava a sua mulher, as duas em pedido de permissão beijavam suas frontes, em uma continência de outros encontros, se reconheciam. As duas mulheres iguais a uma, plantavam suas origens na terra que encontrava o mar. O adeus a casa antiga a morte dos caramujos e o quadro pendurado em sua memória: a noiva virgem morria pendurada na mata, e agora o sangue que caía na terra úmida plantava mulher semente fera. Um adeus com o piscar dos olhos. Deitada em meio a água, ela sorria em berço esplêndido.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

não sei mais pra quê. Não sei, não tenho vontade de continuar. Eu só quero acordar colocar meus pés na terra tomar banho frio e ver e ouvir aqueles que amo. eu quero dançar nua, molhar minha cara na cachoeira, comer bolo de maracujá. dançar.

domingo, 29 de agosto de 2010

"Esse tipo de mulher aproxima-se do mundo desviando o rosto, tal como a mulher de Lot, o olhar voltado para Sodoma e Gomorra. Nesse ínterim, a vida passa por ela como um sonho, uma fonte enfadonha de ilusões, desapontamentos e irritações, que repousam unicamente em sua incapacidade de olhar para frente. Assim sua vida se torna o que mais combate, isto é, o apenas-materno-feminino, devido à sua atitude apenas inconsciente e reativa para com a realidade. Olhar para frente porém faz com que o mundo se abra para ela pela primeira vez na clara luz da maturidade, embelezada pelas cores e todos os maravilhosos encantos da juventude e, às vezes, até da infância. Olhar significa o conhecimento e descoberta da verdade que representa a condição indispensável da consciência. Uma parte da vida foi perdida, o sentido da vida porém está salvo."

(C.G.Jung - Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Como dois e dois - Caetano veloso

Quando você
Me ouvir cantar
Venha não creia
Eu não corro perigo
Digo, não digo, não ligo
Deixo no ar
Eu sigo apenas
Porque eu gosto de cantar...
Tudo vai mal, tudo
Tudo é igual
Quando eu canto
E sou mudo
Mas eu não minto
Não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias
Tristezas e brinco...
Meu amor!
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como
Dois e dois são cinco...
Quando você
Me ouvir chorar
Tente não cante
Não conte comigo
Falo, não calo, não falo
Deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam
Prá consolar...
Tudo vai mal
Tudo, tudo, tudo, tudo
Tudo mudou
Não me iludo e contudo
A mesma porta sem trinco
Mesmo teto, mesmo teto
E a mesma lua a furar
Nosso zinco...
Meu amor!
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como
Dois e dois são cinco
Meu amor! Meu amor! Meu amor!
Tudo em volta está deserto
Tudo certo
Tudo certo como
Dois e dois são cinco...